Pesquisadoras e bolsistas da UNICAMP participaram do encontro realizado entre 27 de setembro e 1o de outubro, em Curitiba, com trabalhos sobre nanografite, sensores de hidrogênio, nanopartículas e valorização da lignina.

Da esquerda para a direita: Debora Santana, aluna de iniciação científica; Silvia Nista, pesquisadora; Deborah Ciriaco, doutoranda; e Renata Nome, pós-doutoranda do CCSNano/UNICAMP, durante a participação no XXIV B-MRS Meeting.

Entre os dias 27 de setembro e 1º de outubro, integrantes do Centro de Componentes Semicondutores e Nanotecnologias da Universidade Estadual de Campinas (CCSNano/UNICAMP) participaram do XXIV B-MRS Meeting, realizado em Curitiba, no Paraná. As participantes atuam em pesquisas relacionadas à Área A6 do INCT NAMITEC, dedicada a materiais e processos de micro e nanofabricação.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat), o encontro reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais da indústria para discutir avanços recentes e perspectivas para a ciência e a engenharia de materiais. Segundo o balanço divulgado pela organização, o evento teve 2.177 participantes efetivos de 31 países e recebeu 2.278 contribuições científicas, entre pôsteres, apresentações orais e palestras convidadas.

O CCSNano foi representado por Silvia Vaz Guerra Nista, Renata Cristiano Nome, Deborah Mascaroz Ciriaco e Debora Thamires Rodrigues Santana. Durante o encontro, a equipe apresentou a infraestrutura de pesquisa do centro e trabalhos relacionados à produção e ao processamento de nanomateriais, sensores e materiais obtidos a partir de fontes renováveis.

Infraestrutura do CCSNano e valorização da lignina

Silvia Vaz Guerra Nista apresentou a infraestrutura disponível no CCSNano para o desenvolvimento de pesquisas em materiais avançados, micro e nanofabricação. O centro multiusuário da UNICAMP reúne equipamentos e laboratórios para atividades de microscopia, litografia, caracterização de materiais, processamento químico e fabricação de dispositivos.

Silvia também apresentou oralmente o trabalho Valorization of Lignin: Microwave Processing to Convert Lignin into Hydrophilic Material. A pesquisa estuda o uso de micro-ondas para transformar a lignina em um material hidrofílico, ou seja, com maior capacidade de interação com a água.

A lignina é um componente abundante da biomassa vegetal e costuma aparecer como subproduto de diferentes processos industriais. O trabalho investiga uma alternativa para agregar valor a esse material, com possíveis aplicações que envolvem absorção de água e liberação controlada de substâncias.

Além de Silvia, o estudo contou com a participação de Paloma Elias da Silva Pellegrini, Larissa Giorgetti Mendes, Renata Cristiano Nome, Deborah Mascaroz Ciriaco, Debora Thamires Rodrigues Santana e Stanislav Moshkalev.

Nanopartículas organizadas em grandes áreas

Renata Cristiano Nome apresentou o trabalho Directed Assembly of Polystyrene Nanoparticles Using Blade Coating. O estudo investiga a organização de nanopartículas de poliestireno por meio da técnica conhecida como blade coating, na qual uma lâmina distribui uma solução sobre uma superfície de maneira controlada.

O objetivo é formar monocamadas organizadas de nanoesferas em grandes áreas, por um processo escalável e de baixo custo. Essas nanoesferas podem ser utilizadas como moldes sacrificiais para a fabricação de matrizes periódicas de nano-orifícios de prata.

A possibilidade de controlar a organização das partículas e reproduzir o processo em superfícies maiores é relevante para o desenvolvimento de estruturas aplicadas em sensores, dispositivos ópticos e outras tecnologias baseadas em materiais nanoestruturados.

Nanografite produzido por microfluidização

Na sessão de pôsteres, Deborah Mascaroz Ciriaco apresentou o trabalho High-quality Exfoliated Nanographite Using Microfluidization Technique. A pesquisa avalia uma rota de processamento que combina sonicação e microfluidização para obter flocos de nanografite.

Durante a microfluidização, uma suspensão de grafite passa sob pressão por canais de dimensões reduzidas. O material fica sujeito a forças de cisalhamento e colisões entre partículas, que promovem sua esfoliação em estruturas menores.

Os resultados apresentados indicam que o processamento preservou a elevada cristalinidade do grafite e reduziu a dispersão de tamanho dos flocos sem alterar de forma significativa seu tamanho médio. Essas características são importantes para o uso do nanografite na produção de filmes e materiais compósitos com propriedades elétricas e térmicas controladas.

Nanofibras condutoras para sensores de hidrogênio

Debora Thamires Rodrigues Santana apresentou o estudo Electrospun Graphite-Polymer Conductive Nanofibers for Potential Use as Hydrogen Sensors. A pesquisa utiliza a eletrofiação para produzir nanofibras formadas por grafite e polímero.

Na eletrofiação, um campo elétrico transforma uma solução em fibras extremamente finas. A incorporação de grafite busca conferir condutividade elétrica ao material, permitindo avaliar seu potencial para o desenvolvimento de sensores de hidrogênio.

A detecção desse gás é relevante para diferentes aplicações industriais e energéticas, especialmente porque o hidrogênio exige sistemas capazes de identificar vazamentos com rapidez.

Materiais e processos de micro e nanofabricação

As pesquisas apresentadas estão relacionadas à Área A6 do INCT NAMITEC, coordenada pelo professor Stanislav Moshkalev. A área reúne projetos dedicados ao desenvolvimento de novos materiais e processos para aplicações em micro e nanotecnologia.

Entre suas linhas de atuação estão a síntese de materiais nanoestruturados por micro-ondas e o desenvolvimento de materiais condutores compósitos baseados em grafeno e nanografite. As atividades envolvem aplicações em sensores, dispositivos eletrônicos, armazenamento de energia, gerenciamento térmico e outras tecnologias.

A participação no XXIV B-MRS Meeting permitiu divulgar resultados desenvolvidos na UNICAMP, acompanhar pesquisas conduzidas por instituições brasileiras e estrangeiras e estabelecer contatos com outros grupos da área de materiais.

O encontro também contribuiu para a formação das bolsistas envolvidas, ao oferecer contato direto com diferentes linhas de pesquisa e oportunidades de discussão com especialistas. A participação da equipe contou com o apoio da FAPESP e do INCT NAMITEC.

Reportagem: Maria Eduarda Rodrigues dos Santos (equipe de comunicação do INCT NAMITEC)

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